‘Ando tendo pesadelos’, diz Juninho Marão sobre voltar à prefeitura

1172

Ex-prefeito de Votuporanga, Juninho ainda não se decidiu se será candidato ou não, mas anuncia que a decisão será no fim do ano. “Conforme o tempo passa e chega o dia da decisão eu vou ficando mais preocupado, ando tendo até pesadelos com isso”, disse

Na última sexta-feira o ex-prefeito de Votuporanga Juninho Marão concedeu uma entrevista ao programa Sala de Bate Papo, da Clube 92 FM, capitaneado pelo jornalista Antônio Carlos Camargo. Foi uma conversa descontraída e amistosa, onde diversos temas foram debatidos.

Se não o mais importante, o assunto ao menos mais pedido foi sobre a candidatura de Juninho Marão à prefeitura de Votuporanga, no ano que vem. Normalmente Juninho nega tal desejo, e, diante dos microfones da Clube FM, negou novamente, mas nem tanto. “Eu fico até lisonjeado e grato pelas abordagens que eu tenho na rua, e é uma coisa impressionante, cada dia parece que é mais gente perguntando se eu vou voltar. Isso prova que a gente fez um trabalho que deixou saudades nas pessoas, mas eu já disse isso aqui: eu sou a favor da renovação”.

A decisão final ficará para o fim do ano, segundo o ex-prefeito. “É uma decisão que eu continuo com ela, que vou tomar no final do ano, eu estou pesando tudo, eu tenho projetos na iniciativa privada ligado aos nossos negócios. A qualidade de vida que eu tenho com meus filhos e com minha esposa hoje é muito maior. Por mais que você esteja em sua casa como prefeito, sua cabeça não está lá, minha cabeça estava totalmente preocupada”.

O jornalista Antônio Camargo comentou que, em suas colunas, ele sempre pensa qual será o Dia do Fico, quando Juninho Marão dirá ‘já que é para o bem de todos e felicidade da nação, diga ao povo que serei candidato’. “Muitos amigos seus apostam nisso”, disse o entrevistador.

“Eu tenho uma pressão muito grande da minha família para que eu não aceite”, respondeu o (talvez) candidato. E continua: “Sempre sou abordado quanto a isso em todos os lugares que eu vou. E conforme o tempo passa e chega o dia da minha decisão eu vou ficando mais preocupado, ando tendo até pesadelos com isso”.

Blindagem contra a crise

Para os microfones da Clube FM, foi feito um panorama da cidade de ontem e de hoje. É notório que o Brasil passa por uma crise longa e com causas antigas, mas Votuporanga aparenta ter sempre alguma blindagem contra a crise, se compararmos com o restante das cidades e se notarmos os índices de desenvolvimento local.

Juninho fala primeiro da crise: “é um momento bastante delicado, todos tinham uma expectativa de que estaríamos melhores, já voltando a crescer. Mas, pelo contrário, estamos vivendo um momento difícil, eu tenho conversado com empresários pequenos, médios e até grandes, e na maioria dos seguimentos da economia a gente vê que as coisas não estão rodando da forma que esperávamos”.

O mini hospital no bairro Pozzobon

 

Educação e saúde

E o motivo pelo qual as crises chegam mais suaves em Votuporanga é justamente o investimento nas coisas mais básicas que uma prefeitura pode fazer. “Educação e saúde é prioridade, é básico, é aquilo que efetivamente nós, do poder público, podemos investir, para oferecer uma condição melhor pra todos. Saúde gratuita com acesso a todos, e educação de qualidade pra nós buscarmos uma sociedade mais justa. A gente só vai conseguir diminuir esse distanciamento social no Brasil pela educação. Não tem outra forma”, diz Juninho.

Segundo ele, o que destacou Votuporanga foram os investimentos: “nós investimos muito na estrutura física dos nossos ambientes de atendimento, os chamados consultórios municipais, eu estava me lembrado que há 20 anos nós tínhamos apenas a Santa Casa como pronto atendimento, urgência e emergência da cidade. Era o único pronto socorro da cidade. Hoje nós temos o hospital do Pozzobom, importantíssimo, aberto 24h, e temos a UPA, outra estrutura de saúde para atendimento 24h. Veja, a cidade não triplicou de tamanho nos últimos 20 anos. Só que hoje temos 3 estruturas 24h”.

Sobre educação, a mesma coisa: “na educação municipal de Votuporanga, que é o sistema de pré-infância, infância e ensino fundamental de primeiro ciclo, até o 5 ano, houve avanços importantíssimos nos últimos anos. A prova disso é o IDEB nosso, um dos melhores, bem próximo de países europeus”.

Juninho conta que esses altos índices tornam Votuporanga famosa e bastante atrativa a novos investimentos. “Quando há 1 ano e meio atrás eu conversei com o Luciano Hang da Havan, e não havia nenhum investimento aqui ainda, foi uma coisa que ele me disse, que fora feito uma pesquisa e Votuporanga se destacava nessa questão da qualidade de vida”, conta o ex-prefeito.

Investimentos

O entrevistador lembrou que uma das preocupações da gestão de Júnior Marão foi em atrair empresas novas pra Votuporanga. Questionado se ainda seria possível isso, o ex-prefeito responde que “estamos vivendo um momento de expectativas. Muitas empresas, talvez esperando pra ver como vai ser o cenário no horizonte talvez não anunciem novos investimentos. Mas o município tem que ficar sempre atento e ficar de braços abertos para atrair novas empresas, seja do tamanho que for”.

E continua: “uma dificuldade importante: temos uma guerra fiscal envolvendo estados, e aí um estado que está a 100km que é Mato Grosso do Sul ou 80km que é Minas Gerais tenham mais atrativos pra atrair uma empresa do que aqui. Então nós temos que trabalhar de outra forma, seja viabilização de áreas, redução de impostos municipais ou algum tipo de incentivo de formação e qualificação de mão de obra”.

A Vikstar em Votuporanga, com mais de mil funcionários

 

Shopping Center Votuporanga

“Falta um shopping em Votuporanga, não como opção de comércio que já temos muito, mas como opção de lazer”, diz Júnior Marão. “Eu realmente me sinto frustrado com isso também, porque eu queria que as coisas acontecessem. Não diz respeito ao poder público, mas do investidor. O Sérgio Gomes, que é o proprietário, ele acabou tirando o pé do acelerador, ele fez uma mudança no pensamento dos investimentos, paralisou as obras do shopping, concentrou os esforços, o que foi muito importante para a cidade, para viabilizar a vinda da Vikstar pra cá. Nós chegamos a ter 1.700 funcionários da Vikstar de Votuporanga. É um número muito grande”, comenta.

Para o ex-prefeito, um modelo de mega shopping center, com 150 lojas e mega estrutura, talvez não seja mais tão interessante. Votuporanga, ele lembra, tem a previsão de estagnar em 120.000 habitantes, perto de 2035, quando é previsto que todo o país desacelere sua taxa de crescimento vegetativo.

Para ele, é preciso que haja fluxo de pessoas. Com a prefeitura sendo construída por perto, com a talvez ida do Poupa-Tempo para lá, e com uma maior mescla entre serviços, entretenimento e lojas, Juninho acha ser possível que dê certo.