A “Síndrome da Cabana” na pandemia

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Conhecida como “síndrome da cabana ou prisioneiro”: diz respeito às pessoas que, embora sob estresse, administraram bem seu confinamento, com tempo para si, para seus entes queridos e seus hobbies e para quem o retorno ao normal gera muito mais estresse.

 

Por Andrea Anciaes

Para proteger a si mesmo e os demais da Covid-19, muitos se fecharam em suas casas nos últimos meses desse ano. Embora a sensação seja de cansaço, muitos temem o momento de deixar o confinamento e voltar à rotina o tão chamado “novo normal”.

O isolamento continua sendo a forma mais indicada de tentar conter a proliferação do vírus, assim como o uso frequente da máscara, mas agora, com a flexibilização das normas, há quem relate inúmeros receios de retomar à vida normal, ou quase normal!

Muitas pessoas sentem medo, angústia, ansiedade e até pânico ao pensar em voltar à rotina anterior.

Mesmo protegidas algumas pessoas podem sentir dificuldade nesse enfrentamento, mesmo sendo necessário por vezes ir para às ruas, seja para ir a um supermercado, bancos, consultas médicas, enfim casos de urgências imediatas. Esse medo todo após longos períodos de isolamento, que pode se agravar, está sendo chamado de ‘Síndrome da Cabana’.

Os primeiros relatos dessa síndrome surgiram em 1900 onde muitas pessoas precisavam se isolar longos períodos em cabanas, esperando o inverno passar e, depois, tinham receio de retomar o contato social.

Nos dias atuais, esse medo todo pode vir da possibilidade de sermos contaminados. E mesmo que não aja como o fator principal, o medo surge com um papel significativo na resistência em voltar à vida normalizada.

O melhor tratamento não é sair de casa, mas sim informar-se sobre o tema, e é claro, viver este período de isolamento com mais esperança e positivitade.

Depois da vacina, quando o mundo retornar a normalidade o que fazer para reduzir esse medo do novo e de sair de casa?

Muita calma e planejamento psicológico, ir conversando com você mesmo e não alimentar em hipótese  alguma os medos. É necessário ter consciência e entendimento do momento em um panorama geral, e não deixar, de forma alguma, de manter relações sociais.

Para que possamos entender um pouco mais sobre a síndrome, é importante a diferenciarmos de transtorno, sendo que, as características de cada um são:

-Transtorno: Trata-se de um estado alterado da saúde, embora não esteja sempre associado com alguma doença que o cause. Sua maior incidência de casos está intimamente relacionado com o cérebro.

-Síndrome: A síndrome, por sua vez, trata-se de um conjunto de sintomas que promove a definição de um determinado estado físico do indivíduo. Sendo assim, não é caracterizada doença.

Se por um lado muita gente não vê a hora de sair com liberdade, por outro, uma parcela se sente cada vez mais coagida à se expor à uma realidade que considera perigosa, daí a importância de estar informados de maneira correta e segura para que essas pessoas voltem à vida normal sem tantos medos.

Vale ressaltar que esta matéria em si não possui o objetivo de incentivar saídas durante a pandemia, mas esclarecer da melhor maneira sobre uma sensação angustiante que surgiu tomando conta de muitas pessoas. Sejamos mais  positivos, pois assim como a pandemia, a “Síndrome da Cabana” também terá fim!

Pepe Madruga – psicólogo clínico de São José do Rio Preto fala sobre o fim da pandemia e a síndrome da cabana.

O termo “síndrome da cabana” surge no início do século passado para descrever o estresse causado a pessoas que, em virtude de nevascas muito fortes ou mesmo por força de atribuições profissionais se veem isoladas por um período de tempo inusual.

Não é uma doença, mas um estresse adaptativo, ou seja, a dificuldade encontrada para se reconformar às atividades corriqueiras do pré isolamento.

Nos tempos atuais, com uma pandemia a nos aterrorizar, preocupamo-nos com o retorno às nossas atividades, sejam elas profissionais ou sociais e até que ponto tal síndrome poderá interferir em nossa vida.

Notadamente, esse isolamento social ao qual nos submetemos não se deu por força de trabalho ou por um fenômeno climático, visível, conhecido e com desfecho previsível.

Vivemos um isolamento social provocado por um “ente” invisível, indetectável, desconhecido e altamente mortal.

Aliado a esse fator desconhecido e perigoso, que nos causa apreensão e medo e nos força a um isolamento social nunca antes experimentado, temos como catalisador as “facilidades”  e as conveniências da vida moderna, que tornam a permanência em casa bem mais agradável que no início do século passado.

Não temos mais um isolamento, um estar fechado em si mesmo, um novo olhar sobre o outro. Não é mais o fato de enfrentar um vizinho, um parente ou um colega de trabalho chato. Temos tudo à mão. Desde o trabalho on line, às compras de tudo que necessitamos e a manutenção dos vínculos sociais. Fazemos tudo, num simples clique.

Embora aparentemente em isolamento social, pois o que vemos é uma quase normalidade, as relações sociais, mesmo que virtuais, se intensificaram. Ficar em casa, antes de ser uma necessidade, um empecilho, passa a ser prazeroso. Sair de casa, além de perigoso à medida que nos coloca à mercê de um perigo invisível, já está insuportável.

É a fila, o mau atendimento, o trânsito, o outro, principalmente o outro, que além de poder trazer consigo o contágio ainda pensa de forma diferente de nós e de nossa bolha  social virtual.

A volta às atividades corriqueiras no pós pandemia certamente nos porá em confronto direto com nossos medos e, principalmente , com nossa dificuldade de conviver com o outro.

Uma síndrome da cabana pós moderna, onde parte do isolamento se pode creditar a uma pandemia, ao medo de um vírus desconhecido, mas a parte maior deve ser creditada a nós mesmos, à nossa fuga das relações reais, do contato físico, ao medo de enfrentarmos alguém que nos questiona, que tem posicionamentos diversos.